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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Relacionamento II

Relação sem padronização

Image courtesy of David Castillo Dominici at FreeDigitalPhotos.net

Ao longo do tempo, a sociedade parece ter desenvolvido a necessidade de criar estereótipos a todos nós, cada indivíduo tem de ser devidamente colocado dentro de uma caixa especificamente rotulada, isso começa antes mesmo de  nascermos: o rótulo mulher/homem nos é entregue antes de nossa constituição social. 
A não capacidade de enquadrar e identificar cada pessoa ou situação parece gerar um profundo incômodo e até revolta em determinados seres humanos e grupos.
A necessidade social de estereotipar e rotular tudo que é possível causa um verdadeiro imbróglio quando falamos em relacionamentos, especialmente ao se considerar as inúmeras possibilidades de relacionamentos que a cada dia ganham força, evidência e adeptxs. A história humana criou uma série de regras e necessidades coletivas, entre elas está o envolvimento afetivo e obrigatório por pessoas, e pessoas de sexo oposto, porém, a complexidade humana é infinitamente maior do que as regras reducionistas ditadas pela sociedade; a forma de nos relacionarmos não deve ser pautada por receitas conservadoras e falidas,  isso já foi assunto em outro momento aqui, inclusive.
Da mesma forma que o processo de socialização, desde muito cedo, nos mostra que precisamos obrigatoriamente ser pessoas cisexuais, heterossexuais, monogâmicas e seguir os modelos e padrões impostos ao longo da vida, também nos diz a maneira como devemos nos relacionar afetivamente com o outro. Mas e quando há um questionamento deste modelo e destas regras? E quando o individuo não quer se relacionar de uma maneira 'convencional'?
Sempre que lidamos com situações que pressupõem um questionamento dos padrões vigentes e aceitos como "normais", precisamos estar dispostos ao conflito, à discussão e à luta, pois ir contra uma corrente estabelecida há milênios, não costuma ser algo de muita facilidade. O texto passado falava sobre relacionamentos gays e a não categorização do envolvimento afetivo, especialmente por ser impossível estabelecer regras ou receitas para tratar de pessoas essencialmente diferentes, em situações totalmente variadas; pois bem, é preciso mais que nunca falar sobre as possibilidades de se relacionar e questionar o modelo tradicional monogâmico e heterossexual. Não se trata, no entanto, de uma tentativa de desconstruir ou invalidar essa ou aquela forma de relacionamento, pelo contrário, apenas um intento de mostrar a diversidade possível nas maneiras de se relacionar e garantir o respeito às decisões individuais.
Muito se fala sobre a instituição do relacionamento monogâmico como uma imposição estranha ao humano, que é por natureza, na visão de alguns, um ser de relacionamentos múltiplos, sendo muito mais espontânea a possibilidade de não se fechar de forma imposta. Ora, não é difícil encontrar pela internet ou mesmo em nosso convívio, estatísticas, dados e relatos de relações fechadas em teoria, cujos envolvidos mantêm casos extraconjugais. Será que há certa dose de hipocrisia?
A instituição dos relacionamentos prevê inúmeras regras, preceitos, valores e uma moral conservadora. Ao longo da vida, aprendemos a sonhar, desejar e estabelecer o relacionamento com o outro: o namoro, o noivado ou o casamento, sem nunca questionarmos o porquê da construção, da forma e mesmo o porquê de necessariamente termos que viver essa aspiração social. Podemos não querer um namoro, um noivado ou mesmo o casamento em nossa individualidade, contudo, a sociedade não aceita sob hipótese alguma tal opção. Então, como falar em relacionamento aberto, por exemplo, nesse contexto conservador?
O relacionamento aberto, o amor livre, o polimor, dentre tantas outras possibilidades, vem a cada dia ganhando espaço e ressonância entre pessoas, que desde algum momento passaram a questionar as relações tradicionais, encarando-as como problemáticas, hipócritas e inviáveis; não a relação em si, mas sim o discurso que as constrói e as cristaliza.
A cada dia que passa, caminhamos para a construção de uma sociedade que se pautará pela diversidade, na qual não deverá haver outro caminho, senão aquele do diálogo, debate, reflexão e respeito; ao propor discussões como essa não pretendemos invalidar ou deslegitimar as variadas formas de relacionamentos possíveis, abertos ou monogâmicos, pelo contrário, trata-se na verdade de tentativas de evidenciar a diversidade, a diferença, para que com o conhecimento, cresça o respeito; para que as pessoas possam saber que ao contrário do que elas aprenderam, há inúmeras formas de se relacionar, de apaixonar-se e de se envolver. 
O afeto é por natureza livre, não pode haver medida ou regras com o objetivo de padronizá-lo ou categorizá-lo.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Relacionamento I

 Você já ouviu alguém dizer que relacionamentos gays não duram? Que homens são promíscuos e sexualizados demais para viverem relacionamentos estáveis, monogâmicos ou não? Há diversos discursos dentro e fora do meio LGBT tentando sustentar e reproduzir tal visão. Vamos falar sobre isso? Será que relacionamentos gays são, naturalmente, inviáveis?

Os Instáveis Relacionamentos Gays

Adapatado: Image courtesy of Simon Howden at FreeDigitalPhotos.net

Há uma ideia, equivocada a nosso ver, que rodeia o imaginário de  diversas pessoas, inclusive homossexuais: trata-se de um constatação duvidosa dizendo respeito aos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, especialmente entre homens, a de que esse tipo de relação não tem futuro e de que está, inevitavelmente, fadada ao fracasso.
Em busca simples pelo Google é possível encontrar uma série de relatos, artigos, listas, dentre outros materiais tratando sobre o tema, o Lado Bi  traduziu um artigo do tumblr da revista Revolutionary que lista o erros mais comuns nos relacionamentos gays; o ChilliWiki publicou uma matéria em que expõe 05 razões que explicam o porquê  de os relacionamentos gays não durarem; caso procuremos um pouco mais, também encontraremos vídeos em canais no Youtube tratando do tema, posicionando-se favorável ou contrariamente a tal "constatação".
A questão da duração de relacionamentos precisa ser drasticamente problematizada. A nós, parece fazer pouco sentido, primeiramente, debater o quanto um relacionamento deve durar para ser considerado estável, ou mesmo utilizar um tipo de relacionamento como parâmetro, no caso heterossexual, para padronizar ou balizar os outros tipos de relacionamentos possíveis, na verdade fazer isso é uma forma de reproduzir ainda mais preconceito.
Muito se fala, em diversos meios, que os homens gays não conseguem se firmar em relacionamentos por diversas características peculiares do sexo biológico masculino, características essas bastante problemáticas. Fala-se que homens tem uma quantidade explosiva de hormônios que os fazem ter um desejo sexual "astronomicamente" maior em relação às mulheres; que homens não conseguem manter-se fiéis, por mais que gostem verdadeiramente de suas/seus parceirxs; que gays são demasiadamente promíscuos e hipersexualizados para relacionamentos longos ou monogâmicos, não que a monogamia seja o modelo ideal ou necessário, longe disso; que a disponibilidade e facilidade de encontros casuais entre homens superam a possibilidade de um relacionamento estável; que os modelos estruturados que prendem heterossexuais em relacionamentos, não existem para os gays, dentre tantas outras justificativas e argumentações problemáticas, no mínimo, que já ouvimos ou lemos por aí.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que relacionamentos são um projeto que envolve duas ou mais pessoas e que dificilmente haverá receitas ou modelos de sucesso a serem seguidos, pois cada individuo responde de maneira diferente na circunstância de um envolvimento afetivo, então, esqueça tudo que você aprendeu nos contos de fada, na novela das oito que agora é das nove, mas começa nove e meia quase dez, o que leu nos testes das revistas "teen's", que ensinavam como agarrar o "bofe" em cinco passos infalíveis, ou detectavam qual integrante do "Backstreet Boys" e agora do "One Direction" mais combinava/combina com você.
Estar em um relacionamento envolve uma série de variáveis e disposições de ambas as partes envolvidas, um bom sinônimo para relacionamento é a cessão, pois antes do amor, companheirismo, paciência, respeito e empatia, os envolvidos deverão estar dispostos a cederem em algumas circunstâncias, senão, os pontos de discórdia tornar-se-ão maiores que qualquer coisa boa que exista.
A nossa sociedade, heterormativa, instituiu ao longo de séculos o ideal de relacionamento e constituiu-se sob o preceito da indestrutibilidade da família, a qualquer preço. Você que nos lê, provavelmente conhece ou já ficou sabendo de determinado casal heterossexual, que já não tem uma vida, efetivamente, conjugal, mas que por diversas circunstâncias não conseguem colocar fim a uma relação acabada há tempos; ou mesmo de casais que traem, muitas vezes, de forma clara; dizer que um relacionamento desse tipo é duradouro ou usá-lo como forma de comparação é, indiscutivelmente, um equívoco.
Falar que relacionamentos gays não duram ou que homens gays são promíscuos e hipersexualizados (O que é promiscuidade mesmo?), é o mesmo que dizer que todas as relações heterossexuais são perfeitas, duradouras e baseadas no respeito mútuo, o que está bem longe de ser verdade. É preciso o entendimento de que o ser humano engana, ludibria, desrespeita, mas que também ama, espera e pode ser fiel, sem com isso generalizar a humanidade, pois já sabemos, ou ao menos deveríamos saber, que generalizações precisam ser usadas com grande cautela.
  Há pesquisas e artigos que desmistificam a crença popular de que os homens têm um desejo sexual superior ao das mulheres. A grande verdade é que, por séculos, as mulheres foram e ainda são reprimidas sexualmente, elas não podem falar, desejar ou pensar em sexo. O sexo para as mulheres está amplamente relacionado a algo sujo e errado, tanto que os xingamentos destinados a elas, na maioria das vezes, estão ligados ao sexo; além disso, mulheres passam pela menopausa, momento de mudanças hormonais e de queda brusca do apetite sexual, fase não vivida pelo homem. Esses fatores, dentre tantos outros servem de argumento a tese do maior desejo por parte dos homens, que também serve para justificar o fato de que eles precisam buscar satisfação na rua, já que têm necessidades físicas e hormonais astronômicas.
Perceba tratar-se de construções sociais, poucas das quais têm verdadeiro respaldo científico, têm o mesmo fundamento e objetivo do tipo de construção que vai dizer que mulheres amadurecem mais cedo que os homens (sem colocar em discussão as constatações biológicas desse fato), fornecendo a justificativa ética e moral para que homens mais velhos possam relacionar-se com mulheres mais jovens, ou mesmo muito mais jovens sem as condenações que ocorrem, por exemplo, quando é a mulher que se envolve com um rapaz mais novo.
São  questões amplas que perpassam qualquer tipo de relacionamento, os dados que podem dizer sobre a durabilidade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo ainda são escassos, talvez no futuro tenhamos alguma medida. O que precisamos entender é que as pessoas estão tornando-se mais conscientes e coerentes, estão menos dispostas a sofrer em relações abusivas e mortas na prática. Não devemos confundir liberdade e direito a seguir os caminhos que acreditamos ser melhores, com instabilidade ou falta de capacidade em manter-se em um relacionamento, aberto ou fechado. Mulheres e homens podem ter apetite sexuais variados, tal característica não está, necessariamente, ligada ao sexo biológico.
Ao refletir, percebemos o quanto estas afirmações e pensamentos são machistas, o homem privilegia-se a todo momento, ele pode estar com quem quiser dentro e fora de seu relacionamento, caso ele esteja em um. Ao longo dos anos o discurso que sustenta algumas crenças que, por vezes, parecem tornar-se verdades inquestionáveis, são fruto justamente do motor que pretende a todo momento subjugar determinadas pessoas na sociedade.
Precisamos falar e fazer reflexões mais profundas sobre a homossexualidade, a bissexualidade, sobre os relacionamentos e sair do terreno do senso comum ou da mania em tomar padrões heterossexuais como tábua rasa de comparação. Relacionamentos gays não duram menos ou mais. Quando o assunto é relacionamento e sua durabilidade, precisamos ter certeza de apenas uma coisa: Um Relacionamento, seja ele qual for, deve durar o tempo que tiver de durar, enquanto for bom e saudável para os envolvidos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Imposições Sociais

Oi pessoal! Mais uma semana com publicação aqui no Alternnativa, não queremos criar falsas expectativas, mas ao que tudo indica iremos conseguir estabelecer nosso plano de postar material a cada quinze dias, sempre às quartas-feiras.
Hoje trazemos um texto que discute mais uma vez as imposições sociais ligadas ao gênero e à sexualidade, o texto resgata algumas discussões já feitas em outros momentos aqui no blog e avança um pouco mais, para abrir espaço às futuras reflexões que faremos.
Gênero e Sexualidade como Imposições Sociais

Imagem: www.sertaonahora.com.br

Ao nascer chegamos a um mundo e a uma sociedade que já estão edificados, nosso papel de construção e mudança é, a princípio, restrito, porque uma gigante parte dos elementos que farão ou deveriam fazer parte de nossa personalidade já estão dados e pouco poderá ser modificado.
Dois destes elementos dizem respeito a nossa sexualidade e ao nosso gênero, os que nascem com vagina são socialmente mulheres, que devem se relacionar amorosa e sexualmente com homens; paralelo similar vale para os que nascem com pênis, socialmente homens, devendo relacionar-se com mulheres. São elementos que aos olhos de nossa sociedade heteronormativa são tão naturais e inatos quanto nossas digitais.
 O processo social do qual somos herdeiros não permite divergência, alternativa ou mudança, entretanto, o mesmo processo não leva em conta que o ser humano é um complexo inexplicável de sensações, sentimentos, pensamentos e contraditoriedades, tornando impossível a simples determinação de sua sexualidade pelo outro, pela sociedade ou ainda por uma parte isolada de seu corpo físico.
O homossexual, o trans, o não-binário (temos consciência de se tratar de características ligadas a orientação sexual e a identidade de gênero)  sentem-se diferentes desde muito cedo, não à toa, é comum ouvirmos coisas do tipo:

 - Ele nunca gostou de brincar com carros, preferia as bonecas.
 - Quando ela era pequena vivia no meio dos "moleques", odiava laços no cabelo, brincos, vestidos, ou coisas assim.
-  Ah, ele era diferente desde pequeno.

 A diferença emerge no momento em que o indivíduo não consegue se ver enquadrado nos modelos sociais institucionalizados, os quais ele deveria incorporar. Distanciando-nos de qualquer reducionismo simplista é preciso deixar muito bem claro que nem sempre a pessoa homossexual não se identificará com os elementos atribuídos socialmente ao gênero em que ela foi designada ao nascer. Há mulheres cis lésbicas que brincaram com bonecas, usaram e usam roupas socialmente tidas como femininas, ou homens cis gays que brincaram e se identificaram/identificam com os elementos atribuídos, socialmente, a ele, como o futebol, por exemplo, isso só afirma a complexidade e o quão é difícil enquadrar as pessoas, de forma ampla, em classificações rígidas e cristalizadas. Estamos muito longe de ser elementos estáticos e classificáveis, tais quais os que encontram-se organizados na tabela periódica.
O horizonte que devemos vislumbrar e lutar para que a sociedade também o vislumbre é aquele que permite a liberdade de vivência individual, não precisamos, na verdade não devemos partir dos princípios que determinam as formas como cada indivíduo deve portar-se. O caminho natural poderia ser o da livre descoberta, da livre aceitação e do livre reconhecimento de si mesmo. Antes de podermos entender quem somos, nossos médicos, nossos pais, nossa religião, nossa escola e nossa sociedade já nos definiu, já nos sonhou, planejou e nos realizou. Em última instância já somos a realização do sonho do outro, o que torna bastante problemático o momento em que decidimos ter nossos próprios sonhos e seguir nossa própria identidade, especialmente quando tais sonhos e identidade estão muito distantes daquilo que foi esperado de nós.
A questão do sonho dos outros é extremamente complicada e pode gerar uma série de conflitos e problemas, não só no âmbito da sexualidade e gênero. Não é incomum a problemática que se estabelece entre pais e filhxs quando, por exemplo, há uma discordância em relação ao curso superior que estes irão escolher, por exemplo.  Se levarmos o mesmo raciocínio para o campo da sexualidade e do gênero, temos uma ideia do quão pode ser difícil e trágico o entendimento de tal situação, justamente porque nossa sociedade não admite sob hipótese alguma tais possibilidades. Infelizmente nos deparamos com esta intolerância e falta de entendimento na figura de nossos pais, familiares, amigos, colegas, etc., e o processo de entendimento ainda é, em boa parte dos casos, doloroso e traumático.
Felizmente o mundo tem caminhado por uma estrada que tem aberto diálogos, maiores entendimentos, possibilidades de reflexão mais profunda e hoje, apesar de diversas limitações promovidas pelo pensamento conservador, intolerante e preconceituoso, conseguimos promover debates acerca da sexualidade, do gênero, das identidades e não há dúvida de que o debate hoje no século XXI, está bem distante do vivenciado na década de 1950 ou 1970, entretanto, ainda temos muito a avançar e construir, esta luta não pode parar, precisa permanecer firme, pelo menos até o dia em que ninguém morra ou se fira por ser lésbica, trans ou gay. Até o dia em que entender-se homossexual ou trans não signifique trilhar um caminho árduo, repleto de pedras, obstáculos, agressões, assassinatos ou mesmo suicídio, como infelizmente ainda ocorre.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Machista II

O Super (gay) Machista
Image courtesy of vectorolie at FreeDigitalPhotos.net

Diante de intolerância e preconceito a reação esperada é uma contra-argumentação sólida e coesa por parte dos atingidos por este tipo de violência. Não é nenhuma exclusividade, nem assunto novo por aqui falar sobre homofobia e o massacre, nem sempre físico, que ela empreende dia a dia. Mas o que dizer e sentir quando esta homofobia vem de indivíduos que deveriam no mínimo construir um discurso e reflexão contrários a ela? O que pensar quando um gay é machista?
Sabemos que a opressão é seletiva relacionando-se especialmente à classe, ao sexo, ao gênero, à cor da pele, dentre tantos outros critérios, há uma hierarquia entre as pessoas e o grau de opressão que as atinge, o que nos permite dizer que a mulher cis hetero branca de classe média não é oprimida da mesma forma e intensidade que a mulher cis, hetero, preta de classe média; ou que o preconceito que recai sobre o homem cis, homossexual, branco de classe média também não é o mesmo sofrido pelo homem cis, homossexual, preto e pobre. Entre as diferenças o grau de opressão se intensifica, porém o mais abominável é constatar que em alguns casos o oprimido toma o discurso do opressor e passa a fazê-lo indiscriminadamente, produzindo ainda mais preconceito, reproduzindo homofobia e promovendo ódio, isso acontece em diferentes circunstâncias.
Algumas posições fornecem determinados privilégios, por exemplo, o gay branco de classe média  se encontra em uma situação que pode distanciá-lo -ao menos aparentemente- da luta em que ele, mesmo sem querer, está inserido, que diz respeito à conquista de direitos e dignidade aos homossexuais, não faltam exemplos práticos e caricatos em nossa sociedade. Provavelmente você já deve ter ouvido algo do tipo: " - Sou gay, mas sou discreto."; "- Não curto afeminados.", "Ser gay tudo bem, agora querer ser mulher é demais." etc. Todas estas falas podem vir ou mesmo já vieram de homossexuais, que tomando um discurso preconceituoso discriminam aqueles que deveriam ser aliados ou companheiros de luta. O discurso pode ser ainda pior em relação as lésbicas e pessoas trans.
Não queremos dizer que é apenas o homem gay branco, cis de classe média que possui tal pensamento e atitude, longe disso, na verdade ele é espalhado por todos os âmbitos do meio LGBT, mas nesse caso há uma situação privilegiada usufruída por essas pessoas. Posição confortável ao ponto de não fazer sentido a elas falar em preconceito ou luta por direito e dignidade, se estivermos falando de um homossexual não bem resolvido com sua sexualidade, o cenário piora.
O quadro desenhado acima acaba por gerar uma das figuras mais contraditórias, a nosso ver, no meio LGBT, o gay machista, aquele que não se vê enquanto gay, menos ainda como LGBT, aquele que irá oprimir o afeminado, o trans, em não poucos casos, as lésbicas e compartilhar de discursos e atitudes próprias de homofóbicos, nem precisamos ir muito longe para chegar onde pretendemos, basta mirar na figura do deputado federal Jean Wyllys. O Jean se tornou um dos maiores políticos engajados na luta pelos direitos LGBT, mas não só, devido a isso, tornou-se alvo fácil e frequente de diversos políticos conservadores, machistas, preconceituosos e como o próprio Jean menciona em alguns casos, fascistas, assim, como da sociedade em geral.
Ao analisar o contexto em que se construiu e vive a sociedade brasileira, uma democracia recente, é bom lembrar, não seriam novidade os ataques que recairiam sobre a figura do deputado, mas a surpresa fica por conta dos inúmeros gays declarados que se posicionam contrários a política feita por Jean, claro que todos têm o direito de apoiar e criticar quem quer que seja. Não se deve apoiar um político, apenas por ele ser gay, preto, branco, católico, evangélico, de origem rica ou pobre, etc., mas sim pelas propostas deste para com a população, no  entanto, é de se esperar um mínimo de consciência crítica, especialmente por parte das minorias, como é o caso dos homossexuais, na hora de eleger seus representantes, lembrando que vivemos em um dos países que mais mata travestis e transexuais
Jean Wyllys é caluniado frequentemente, os absurdos vão desde afirmações que dizem que ele quer alterar a bíblia até ser a favor de se destruir a figura de pai e mãe, claro que cada acusação e calúnia é muito bem voltada a interesses específicos, mas isso é assunto de outro momento, o que nos interessa é observar como diversos gays acabam por reproduzir tal discurso e oprimir ainda mais outros gays ao tentar se colocar em posição de superioridade com base em sua posição social ou não, durante certa ocasião em uma entrevista veiculada por uma emissora de TV aberta, um individuo gay teceu inúmeras críticas infundadas ao Jean, o desqualificando enquanto pessoa, enquanto deputado e enquanto gay; o mesmo indivíduo fez um discurso bem diferente sobre a pessoa de Silas Malafaia quase convidando-o para um café. Diante de tal quadro fica evidente a forma como a homofobia é interiorizada pelo próprio homossexual, em alguns casos, pelos mais diversos motivos, entretanto o fundamento é quase sempre o mesmo.

A identificação enquanto homossexual falta, a conscientização dos papéis sociais falta, a politização necessária enquanto indivíduos indiscutivelmente oprimidos também falta, sendo substituídas por um entendimento raso do mundo circundante, o gay se exime da luta, se exime da homossexualidade e do sangue derramado, para estar no lado que oprime e faz sangrar, na busca, de não sabemos o quê. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Padrões Sociais

Hoje não, Sociedade!
Image courtesy of lekkyjustdoit at FreeDigitalPhotos.net

Há em nosso mundo uma série de condicionantes para a vida em sociedade. Desde muito cedo, a vivência e o processo de socialização, do qual também somos fruto, incute em nossa mente um sem número de desejos e aspirações, muitas vezes, estranhos a nós.
Para aqueles que não conseguem escapar ao rolo opressor da cultura ocidental, machista, branca, heteronormativa, e acrescentamos também romântica, solidificam-se na mente e no imaginário alguns pré-conceitos, idealizações e sonhos, que podem não ser necessariamente da pessoa em questão, mas antes os sonhos que a sociedade, de maneira ampla, sonhou para e por ela.
O amor romântico, o casal do comercial de margarina, dos finais da novela das seis, dos filmes holllywodianos e tudo mais que está embutido nesse contexto é a nosso ver, um dos produtos mais bem sucedidos dessa cultura, tão bem difundido e amarrado a necessidade individual e social de cada pessoa inserida nesse mundo, que a torna automaticamente um ser estranho, problemático e, principalmente, infeliz, caso ela não consiga alcançar a maior promessa histórica de felicidade: o amor. Amor cristalizado na figura do outro, o qual traz consigo uma das maiores buscas do ser humano contemporâneo: A felicidade e felicidade para sempre.
Afinal, amar é mesmo para todos? A felicidade está no amor? Felizes para sempre não seria apenas uma criação ilusória de fuga, difundida pelos encantadores e encantados contos de fadas, criados apenas como mais um mecanismo de controle social e/ou reprodução do capital sob diversos aspectos?
Um questionamento no mínimo complexo e problemático, para não dizer descabido, pois parece não haver necessidade nenhuma de discutir os mecanismos capazes de trazer a felicidade, menos ainda se estes mecanismos se aplicam a todos de maneira uniforme, já que parece ser universalmente aceito que a felicidade está mesmo no amor e todos precisam encontrar sua metade, senão a tristeza e a busca permanentes parecem ser o destino desses. Nossa visão e percepção de mundo é permeada pelos valores sociais e culturais da sociedade em que vivemos, a busca pelo amor romântico e o condicionamento da felicidade a ele é um desses valores.
A busca pelo amor se torna objetivo de muitos, entretanto, é preciso ter em mente que cada pessoa pode e deve ter o direito de empreender as próprias buscas e estabelecer os próprios objetivos de vida, sem isso significar uma frustração ou motivo para dizer que determinada pessoa jamais será feliz por não ter encontrado alguém para partilhar a vida, talvez esse objetivo nunca tenha passado pela cabeça dela.
Determinadas cobranças parecem nunca acabar: E xs namoradxs? E o casamento? E xs filhxs? Cada pessoa tem (ou, ao menos, deveria ter) o direito de estabelecer as próprias prioridades. Entre as quais, namorar, casar-se ou mesmo ter filhxs pode não ter lugar. A infelicidade não deve estar na ausência do outro, porque cada um precisa ser capaz de ser feliz sozinho primeiro, apenas assim, uma segunda vida pode fazer sentido.
Certos padrões e verdades precisam ser questionados, pois a vida não deve seguir rígidas linhas ou os desejos que outros depositaram sobre nós. A construção de preconceitos segue a mesma lógica, pois esse é gerado pelo estranhamento aquilo que não segue um determinado padrão esperado. Uma mulher que deliberadamente decide não se casar ou ter filhxs, gera esse estranhamento porque "é natural à mulher que ela seja mãe", percebam que o mesmo estranhamento não ocorre com a mesma dimensão em relação ao homem, entretanto, caso ele, por qualquer motivo que seja, não estabelecer um relacionamento com uma mulher (caso ele seja hétero), o questionamento será: "Tal fulano está sozinho nessa idade, será que é gay?".
Dificilmente o pensamento em relação a esses indivíduos irá centrar-se na hipótese de que eles possam ter escolhido livremente não ter ninguém ao lado, em vez de significar, necessariamente, que não houve pessoas dispostas a amá-los ou vice-versa.
Mais uma vez estamos em uma questão trabalhada em outros momentos aqui, trata-se da liberdade individual em poder escolher como caminhar, como viver, sem os pré-julgamentos ou necessidades sociais para com nossas vidas. Cada indivíduo precisa ter a liberdade de fazer suas escolhas, sejam elas quais forem. Namorar, noivar, casar, ter filhos, enfim, cada uma dessas etapas não são uma necessidade universal de felicidade. Cada um encontra, ou ao menos deveria encontrar, a felicidade à sua maneira.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

HIV - II

                        HIV: A Entrevista
   FreeImages.com/Artist's do Nom David Dallaqua


Como antecipamos na semana passada em nossa Fanpage, o Alternnativa traz hoje entrevista exclusiva com uma pessoa portadora do HIV. Anonimamente, ela nos conta como foi descobrir ser portadora, encarar os familiares, ter tido filho, começar o tratamento e acreditar que sobreviveria, em um momento que via diversas pessoas falecendo com de Aids.
Adelaide (nome fictício) bateu um papo descontraído com o Alternnativa e, de maneira descontraída, vamos expor os principais trechos distribuídos nos tópicos que nortearam nossa conversa.

Ela começa nos falando sobre a descoberta.
Adelaide se descobriu portadora há vinte anos, ao fazer os exames de rotina durante a segunda gravidez, o primeiro filho não adquiriu o vírus. Hoje, aos quarenta e quatro anos de idade, vive bem e feliz. Afirma ela, não ter nenhum efeito colateral com os medicamentos administrados atualmente, bem como nenhuma complicação decorrente de sua condição. Adelaide é o tipo de pessoa que  porta o vírus (HIV), mas não desenvolveu a doença (Aids).    

O que mudou, de fato, em sua vida após o diagnóstico?
"Parecia que o mundo ia acabar".  É assim que Adelaide começa falando sobre esta questão. Ela nos diz que o choque inicial é bastante conturbado, a princípio pensou que poderia morrer logo, pois via constantemente na mídia, casos de pessoas que vinham perdendo suas vidas; ela citou Cazuza como um caso bastante repercutido à época. Passado o choque e medo iniciais, a rotina foi se normalizando, a grande mudança foi a administração dos remédios, cuja adaptação foi bastante complicada, com severos efeitos colaterais no início.

Em alguns momentos é necessário compartilhar alguns fatos de nossa vida com outras pessoas. Você precisou contar à alguém? Como foi o processo?
Há vinte anos, o preconceito -causado também pelo desconhecimento- era maior. Adelaide conta que teve muito medo de perder o marido e isso a deixava ainda pior, mas diz que em nenhum momento ele demonstrou qualquer sinal que apontasse nessa direção, pelo contrário, a todo momento fazia questão de deixar claro que eles estavam juntos e era, assim, que as coisas iriam permanecer. Ela segue falando que não foi fácil contar aos familiares e chegou a ouvir, de forma não direta, comentários preconceituosos; mas, que com o tempo, as pessoas foram entendendo melhor do que se tratava a sua condição.

Perguntamos à Adelaide como ela percebe o preconceito em relação aos soropositivos e o peso dele em sua vida.
O Alternnativa tem como missão fundante combater o preconceito e nós sabemos que, apesar dos avanços científicos em relação ao HIV e a Aids, o preconceito está aí e é sim um peso para milhares de pessoas que convivem com o vírus. Adelaide diz que ela percebeu sim este preconceito, que no passado ele era ainda maior, pois poucas pessoas tinham acesso à informação como hoje, não havia campanhas de conscientização amplas e difundidas, os estudos ainda estavam em fase de amadurecimento. "O peso do preconceito somava-se ao peso de saber ser portador". completa ela.

Sabemos que a aids ataca o sistema imunológico daqueles que a desenvolvem, em termos práticos não é possível dizer que alguém morreu de aids, e sim de outros vírus oportunistas que atacam a pessoa, que com o sistema imunológico deficitário, vai à óbito. Você teve algum tipo de complicação ou adquiriu algum vírus oportunista?
Adelaide diz que conviveu bastante tempo com o vírus até descobrir ser portadora, sem jamais ter desenvolvido qualquer sintoma que apontasse haver algo de errado. Também não transmitiu o vírus para seu atual companheiro.

Pedimos que Adelaide contasse um pouco sobre o tratamento.
Ela nos diz que o começo foi bem doloroso, precisou ir inúmeras vezes, no meio da noite, à prontos-socorros devido às intensas dores, sem poder jamais interromper o tratamento. Quando ela descobriu ser portadora, os medicamentos ainda eram escassos e não havia uma variedade de opções; à medida que o tempo foi passando novos medicamentos foram surgindo e o organismo começou a se habituar, o que possibilitou uma maior adaptação. Ela comenta que chegou a tomar 23 comprimidos diários, entre vitaminas para se fortalecer e os remédios para combater o HIV, hoje ela toma 6 (três pela manhã e outros três à noite) e diz  não sentir absolutamente nada.

Comentamos com Adelaide, que o Brasil faz parte do estudo da PrEP (Profilaxia pré-exposição), que pretende barrar a infecção pelo HIV de pessoas com sorologia negativa, através da administração do Truvada. A pessoa toma diariamente um comprimido; estudos têm demonstrado ser o remédio, eficaz contra a infecção. Perguntamos à ela sua opinião sobre isso, e se caso soubesse da existência de algo do tipo antes de ter contraído o vírus, se faria  uso.
Adelaide se mostra uma pessoa aberta ao dizer que apoia qualquer tipo de iniciativa que ajude a combater novas infecções e derrubar preconceitos; segue dizendo que usaria o medicamento, caso houvesse algo do tipo disponível antes de contrair o vírus.

Como nossa conversa não foi necessariamente linear, há outros pontos importantes que não foram citados nos tópicos acima. Resumimos abaixo.
- Adelaide nos disse que no início do tratamento, sua carga viral custou a baixar e que foram anos de tratamento até chegar a condição de carga viral indetectável.
 - Junto ao tratamento médico, ela fez terapia e nos disse ser fundamental este tipo de acompanhamento, especialmente para que a pessoa possa se localizar e entender melhor sua condição. Ela conta que sua situação a deixou bastante deprimida (medo de perder o marido, como ela viu acontecer inúmeras vezes com outras mulheres portadoras, medo de não ver o filho crescer, o preconceito das pessoas etc.); o acompanhamento psicológico a reanimava a cada visita.
 - Adelaide engravidou pela segunda vez, mas a filha adquiriu o vírus e faleceu de complicações posteriores.
 - Adelaide diz que os médicos admiram seu caso, pois mesmo sendo portadora e com a carga viral elevada, não demonstrou nenhum sintoma nem transmitiu o vírus para o seu companheiro com quem manteve relações sexuais desprotegidas, até a descoberta do HIV. Recentemente seu sangue foi colhido para exames, mas ainda não obteve retorno.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

HIV

Hoje, dia 1º de dezembro, é o dia mundial de combate a AIDS, como forma de apoio e conscientização trazemos um texto falando sobre avanços e alguns estudos recentes sobre o HIV. Trata-se menos de um texto de prevenção e mais sobre o preconceito que recai sobre os portadores do vírus. Como o objetivo primordial do blog é justamente propor reflexões que contribuam para debates e desconstrução de preconceitos, não poderia ser um texto diferente. Leiam, reflitam, critiquem, compartilhem. 

HIV: Um Estigma Social

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Estamos em 2015, passaram-se 35 anos desde o surgimento dos primeiros casos de Aids no Brasil. Desde então, muita coisa mudou, os campos da ciência relacionados ao estudo do vírus desenvolveram-se e avançaram, proporcionando formas menos dolorosas e mais eficazes no combate aos sintomas e à prevenção. Se durante o surto da epidemia, na década de 1980, contrair HIV significava, na grande maioria dos casos, desenvolver Aids e falecer. Hoje, os portadores podem vislumbrar e conviver com o vírus de uma maneira bem menos pessimista.
Apesar dos inúmeros avanços nos campos da ciência médica, farmacêutica, biológica etc., há ainda um grande vilão que os portadores de HIV têm de enfrentar diariamente; um vilão, por vezes, tão devastador quanto o próprio vírus: O preconceito. Os portadores foram estigmatizados desde o início da epidemia, os homossexuais passaram a ser relacionados diretamente à doença, a ponto de serem condenados por alguns como os culpados pela difusão, ou apontados por afirmações do tipo: 'Todo gay tem HIV'. Ainda hoje, os homossexuais são considerados um grupo de risco, o que os impede, por exemplo, de doar sangue em alguns países, como o Brasil.
 Os mitos em torno da doença se espalharam, dificultando a cada dia a vida dos portadores, não se sabia se respirar o mesmo ar era seguro, sentar no mesmo banco, comer com os mesmos talheres etc., não muito diferente do que ocorre sempre que se descobre uma nova doença; felizmente, as características do vírus foram descobertas e com elas os mitos caíram por terra, o que não significou, contudo, um melhor entendimento e respeito imediato por parte da sociedade. Imagine o quão difícil deva ser saber portar o vírus do HIV e, de repente se ver segregado, excluído e impossibilitado de conviver com as pessoas com as quais sempre conviveu, ou mesmo de conhecer novas, simplesmente por ignorância e preconceito.
A esta altura, há pessoas que ainda acham que podem contrair HIV por contato indireto, por compartilhar talheres, pela saliva, por um beijo, enfim. São inúmeras as pessoas que encerram a possibilidade de conhecer e se relacionar com pessoas portadoras, pessoas que parecem fazer questão de tornar o HIV um verdadeiro estigma social. Há pesquisas extremamente sérias e relevantes, que já nos provaram não existir motivos para continuar tratando o HIV como um vírus, necessariamente, mortal, menos ainda para temer ou evitar as pessoas que porventura convivam com ele, é mais do que hora de derrubarmos preconceitos, a melhor forma de fazê-lo é com conhecimento.
Em primeiro lugar, é preciso saber que o vírus e a doença não se desenvolvem ao mesmo tempo ou em todas as pessoas; há indivíduos que contraem o HIV (vírus) mas nunca desenvolverão a doença (Aids). Apesar de ainda não existir cura definitiva, os portadores, a partir da administração dos já conhecidos coquetéis (conjunto de remédios para tratamento e controle do HIV), conseguem levar uma vida saudável com expectativas de vida que se aproximam as dos não portadores.
Como dito anteriormente, a transmissão não ocorre pelo ar, assentos, compartilhamento de talheres, salivas etc., mas sim, por meio de contato sanguíneo, pelo sêmen, por secreções vaginais, leite materno, durante a gestação - na atualidade, com o correto tratamento as chances são mínimas-, ou o parto. Dentre as formas de contágio, a mais alarmante é a sexual, não à toa o HIV ser reconhecido como uma Doença Sexualmente Transmissível - DST. Essa foi a cara da epidemia desde a década de 1980 e a camisinha ainda é o método mais seguro e disponível à prevenção. Entretanto, os outros meios de contágio não devem ser negligenciados, como o compartilhamento de seringas, geralmente associado ao uso de drogas, ou o sexo oral, que apresenta risco efetivo, apesar de muitos não fazerem questão do uso do preservativo durante essa prática. 
É importante ressaltar que a preservação deve ser constante, qualquer ato sexual deve ser realizado com uso de preservativo, independentemente de qualquer questão: alergias, falta de sensibilidade, incômodo etc., não devem ser utilizados como pretexto para o não o uso, especialmente por existir hoje no mercado uma infinidade de produtos em diversos modelos, opções e tamanhos para atender o maior número de necessidades possíveis. Prevenção é necessária sempre. Mas uma vez contaminad@, a calma deve ser estabelecida e a ajuda especializada procurada.
Outro ponto importantíssimo a ser tratado e, que poucas pessoas sabem, é que um individuo soropositivo sob tratamento e que possua carga viral controlada a níveis indetectáveis, oferece menor chance de transmissão em uma relação sexual desprotegida do que um individuo sorointerrogativo (aquele que não sabe sua sorologia).
Os estudos nesta área se multiplicam. Recentemente, postamos em nossa página no Facebook uma matéria do portal Universo AA, que versava sobre o tema, o Lado Bi também falou sobre. O estudo Partner demonstrou, com um universo de 800 casais formados por sorodiscordantes (hetero e homossexuais) - sendo que o soropositivo apresentava carga viral indetectável-, que não houve transmissão do vírus entre os casais que tinham a prática de transar sem camisinha. Estamos falando com base em dados e pesquisas de instituições sérias, não se tratam de opiniões arbitrárias. Estudos assim, tem por objetivo esclarecer as reais causas de transmissão e desmistificar tantas outras que a nada servem, senão estigmatizar e segregar ainda mais os portadores, entretanto estes dados não devem servir de fundamento para que as pessoas sintam-se seguras ou deixem de prevenir-se, pelo contrário, a prevenção ainda é a melhor forma de combate a Aids.
   O parágrafo acima traz uma informação pouco conhecida e até inesperada para muitos, dificilmente alguém diria ser mais seguro manter relações sexuais com um soropositivo, mas é isso mesmo, é importante ressaltar, que este quadro diz respeito aos portadores em tratamento que fazem uso de antirretrovirais, responsáveis por manter a carga viral a níveis indetectáveis. Esse tipo de informação precisa ser compartilhada e difundida, para que o preconceito e resistência ignorantes cessem e para que todas as pessoas portadoras possam viver com o respeito e a dignidade merecida, sem pré-julgamentos descabidos ou a segregação já tão vivida e conhecida por alguns grupos, tidos como minorias.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Machista

                             Bicha Machista
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Este poderia ser um texto sobre como os homossexuais são afetados diariamente pelo machismo e pela heteronormatividade que ainda rege nossa vida em sociedade, palavras e frases não faltariam para dizer o quanto um homossexual é prejudicado, ameaçado e lesado cotidianamente por esse mesmo machismo.
Qualquer pessoa teria um número considerável de exemplos passíveis de serem citados aqui: homens, mulheres, gays, lésbicas, etc., mas nosso foco se trata do  machismo no interior do cotidiano gay, aquele cometido pelos próprios homossexuais, o que apesar de causar certo espanto é algo não muito incomum
Qualquer pessoa que já frequentou salas de bate papo, sites de relacionamento ou os aplicativos de "caça", já se deparou, muito provavelmente, com o tipo de cara que preza pela discrição, anonimato e o submundo de tudo que permanece as escuras, as justificativas para isso são muitas e figuram desde os que apenas não querem expor sua individualidade até os que são casados. Outra característica bastante comum "no meio" reside na preferência pelos não afetados e discretos. A primeira vista pode parecer apenas uma questão de preferência e atração, mas em boa parte há certa dose de machismo permeando tais preferências.
Seria desnecessário repetir que vivemos em uma sociedade machista e nosso processo de socialização nos incentiva a também sermos, tema de uma outra postagem (http://alternnativag.blogspot.com.br/2014/07/a-construcao-do-preconceito-nao-e.html). Entretanto, podemos desenvolver outras formas de pensar, que não a que nos é imposta, porém boa parte das pessoas não consegue se desprender facilmente de tais valores tão bem arraigados e muitas vezes confundidos com o próprio indivíduo, claro que o machismo cresce conosco, somos influenciados e afetados por ele, cabendo a nós, em especial a alguns grupos, lutar contra.
Um dos grupos que fazemos menção no parágrafo acima é, ou ao menos  deveria ser, inquestionavelmente, os homossexuais e, embora esse combate seja muito mais comum, por questões óbvias, entre as lésbicas, parece não haver um paralelo direto e bem definido entre os gays, pelo contrário, é possível enxergar a sobrevivência e permanência de atitudes e posturas machistas, também nesse meio, um paradoxo, uma abominável contradição.
Muitos gays não conseguem sair do temeroso armário, vivem as sombras de uma mentira prestes a ser revelada a qualquer instante. Fazem dele -o armário- seu maior e mais seguro suporte e  refúgio e, por saberem que nunca estão em plena segurança a ameaça da descoberta os afugenta, fazendo-os recorrer a todas as armas possíveis e capazes de protegê-los neste casulo.  Em alguns casos, ou boa parte deles, ou em todos eles, a posição machista destes indivíduos é uma forma de fortalecer o armário, dar seguridade ao esconderijo.
Para além desta questão, há ainda uma mais problemática: Trata-se dos gays que desprezam e desdenham daqueles que possuem trejeitos tipicamente femininos, muitos se referem a eles com ar pejorativo, ar semelhante aquele dispensado pelos héteros em relação aos gays de forma geral. Porque caso estas pessoas não tenha se dado conta ainda, para a sociedade normatizada não existe o "gay machão" e o "gay bichinha", existe apenas o gay e se você no interior do grupo cria essa dualidade, significa a aceitação do mesmo preconceito e das mesmas raízes machistas desta sociedade. Há uma desconstrução total e interior ao movimento LGBT, que tanto luta, tanto grita e tanto morre na batalha contra o preconceito.
Tratar com desprezo ou desdém e mais preconceito qualquer individuo não torna ninguém mais ou menos gay e esse ato deliberado de criticar alguém pelas características constituintes de sua personalidade é preconceito e pior, revestido de machismo.
Para tornar a situação um pouco mais complexa outro ponto se coloca entre os homossexuais com total relação ao machismo presente entre nós: A questão de ser ativo ou passivo, representando o que consideramos ser uma das maiores contradição entre os gays, pois parece que a relação, também machista e heteronormativa, estabelecida entre homem e mulher é trazida e adaptada para as relações entre dois homens.
A pergunta, "o que você curte?" é comum e usada com frequência entre homens, o que já infere que as vezes a preferência na cama tem preponderância em muitos relacionamentos. Mas e todo o resto? Há uma preocupação em saber de cara o rótulo (comum também nas relações entre héteros, importante lembrar) que cada um carrega, ativo, passivo, versátil   Essa atitude revela mais uma faceta do machismo entre os gays.
Dificilmente se ouve alguém dizer declaradamente que é passivo e isso não é a toa. Ser passivo consciente ou inconscientemente traz um peso negativo, um peso que poucas pessoas conseguem explicar de onde vem, porque na verdade nem mesmo elas sabem qual a origem. O adjetivo versátil serviu muito bem a muitas pessoas que não tinham a coragem de assumir sua preferência, não à toa que em um texto intitulado "O vilão do Grindr" já referenciado aqui no blog (http://wwwbarbrazil.blogspot.com.br/2014/03/o-vilao-do-grindr.html), é mencionada a seguinte frase: "Todos os ativos são versáteis e todos os versáteis são passivos". Claro que se trata de uma  generalização que requer maior análise, mas há de fato uma realidade vivida que se aproxima desta citação.
Ser passivo e assumir isso em alguns casos não é simples, pois implica na cabeça de muitas pessoas certa inferioridade em relação ao outro. Como mencionado anteriormente, as relações homossexuais parecem ser constantemente adaptadas as relações heterossexuais, sendo assim, necessariamente as pessoas precisam identificar quem é o homem e a mulher da relação; quem manda e quem obedece. Aceita-se de forma rasa e conformada, mais uma vez todo o machismo também cometido contra a mulher.
Já é um absurdo esse tipo de relação entre pessoas de sexos opostos. Já é um absurdo o machismo ainda sobreviver, mas absurdo maior é tentar transpor e tornar iguais coisas que em essência são diferentes. E mais absurdo é ter que falar em desconstrução do machismo em um meio, cujo objetivo político-social deveria ser por natureza, desconstruí-lo. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Heternormatividade

A  Heteronormatividade Nossa de Cada Dia

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Nascemos e crescemos permeados por valores e socializações heterossexuais, nossa genitália define nosso gênero, orientação sexual, afinidades, preferências, estilos, etc., não é dada opção de discordância, mudança ou alternativas.
Indivíduos identificados como do sexo feminino ao nascer terão impositivamente de usar rosa e brincar de boneca, em oposição aqueles do sexo masculino que usarão azul, terão como brinquedos os carros, bolas, brincarão de luta ou outras atividades tidas como menos delicadas, assim, as situações são estabelecidas e assim, tem que ser seguido. No entanto as pessoas são muito mais complexas e diversas, de tal forma que esses valores heteronormativos não conseguem abarcá-las em sua complexidade. Meninos podem brincar de boneca e gostar de rosa, sem isso querer dizer que ele é ou será homossexual na vida adulta, mulheres podem preferir as bolas, a luta, carros e azul e isso não precisa necessariamente ter relação com as pessoas com as quais elas se relacionará: homens ou mulheres.
A definição de nossa sexualidade é permeada por uma série de fatores biológicos e socioculturais de uma maneira tão complexa e intrincada que ainda hoje é uma incógnita para psicólogos, médicos, biólogos e demais estudiosos do tema o momento em que alguém desenvolve a orientação sexual ou mesmo se ela é algo genético e portanto nasceria no instante em que nasce o individuo ou não.
Cada ser humano deveria ter o direito a liberdade de crescer distante dos determinismos e imposições que a sociedade ao longo de sua história instituiu como valores universais e imutáveis, entre eles a própria sexualidade e a identidade de gênero que deveriam ser elementos extremamente individuais e particulares dentro daquilo que constitui o humano, afinal de contas não cabe a ninguém opinar ou decidir a forma como cada um deve amar, se relacionar e se expressar no que diz respeito a sexualidade e ao gênero.
O resultado da crença cega em se condicionar o gênero de um indivíduo com base apenas em uma parte do corpo, a genitália, pode significar reduzir e asfixiar a expressão daquele, muito mais ampla que o pênis e a vagina, envolvendo questões bem mais profundas e complexas. É preciso entender que o gênero não é dado ou nato, se trata antes, de uma construção social transmitido na forma de valores, costumes, cultura, etc., portanto, esperar que o comportamento masculino ou feminino seja natural e estritamente ligado a uma parte do corpo é um problema. A constatação de que uma parte considerável das pessoas que nascem com vagina se identificam como sendo do sexo feminino, e as que nascem com pênis, por sua vez, se identificam como sendo do sexo masculino, não pode implicar em uma generalização absurda e errônea, pois sufoca uma série de pessoas que não estão abarcadas por esta maioria, mas devem ter assegurados os mesmos direitos e dignidade.
Os transgêneros existem, assim, como os transexuais e os não-binários  e não podem ter sua existência obscurecida ou asfixiada pelo preconceito, desconhecimento e ignorância. Precisam antes de mais nada ter assegurado o direito de expressar sua identidade da forma como se identificam, seja na forma da lei ou no convívio em sociedade, mas para isso uma mudança brusca e urgente na forma como as pessoas, em geral, encaram a sexualidade e o gênero  precisa ser realizada.
Não é pequeno o número de indivíduos que se veem em situações de profunda confusão ao não conseguir se encaixar nos padrões estabelecidos como "normais", o que gera margem para estas pessoas acreditarem portar algum tipo de problema ou desvio negativo, o resultado desse caminho em alguns casos é a negação da própria individualidade, negação motivada pelo medo ao preconceito, a exclusão, a reação da sociedade, etc.
É mais do que hora de abrirmos a mente e o pensamento, entender que a realidade é bem maior que o nosso quadrado e as formas de expressar aspectos individuais de nossa personalidade, devem ser individuais, nunca impostos pela sociedade representada na figura de quem quer que seja.

Referência
http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/nao-binarios-publicam-selfies-nas-redes-para-mostrar-que-significa-essa-identidade-de-genero-14383736

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Armário

Olá meus queridos, desta vez fiquei bastante tempo fora e não sei qual vai ser a frequência das minhas postagens por aqui. Pra quebrar o jejum, tem texto novo hoje sobre um assunto bem delicado: O Armário. Podem comentar com suas opiniões, experiências, etc., se quiserem mandar comentários por e-mail, sintam-se a vontade.

Boa Leitura!

Sobre sair do Armário
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São milhares os endereços e textos na internet que falam sobre aceitação, autoconfiança, preconceito, etc. Talvez este seja só mais um entre tantos e, ainda assim,  escreveremos por acreditar que nunca é demais falar sobre o processo de autoaceitação, de se assumir e  das consequências boas e ruins que isto pode trazer a vida de alguém.
Quem é homossexual vive ou viveu, sem dúvida, a sombra de se assumir ou não, este questionamento persegue segue a vida de alguns por pouco tempo, de outros por muito, já para alguns outros ele nunca deixará de existir, claro que essa não é uma das escolhas mais fáceis a se fazer e tem de ser muito bem ponderada antes da decisão ser, de fato, tomada.
Ninguém escolhe ser homossexual, bissexual, transexual, etc., mas as pessoas podem escolher, infelizmente acreditamos, passar a vida se escondendo atrás de máscaras e fantasias. Por não enxergar alternativa a não ser esta, optam pelo que acreditam ser o caminho menos árduo, motivados, boa parte das vezes,  pelo medo. O medo a reação da família, dos amigos, dos colegas no trabalho ou na escola, pelo medo a reação da sociedade. Pouco importa como a pessoa sente-se, desde que o que lhe é externo continue enxergando aquilo que a sociedade quer enxergar. A preocupação maior está em responder as expectativas que o mundo despejou em nossas vidas. Algumas  vezes este mundo é representado primeiramente pela figura da nossa mãe ou pai, um tio, uma tia, depois os amigos, talvez chefes, colegas. No fim, o próprio mundo.
Lendo algumas matérias e relatos fica a impressão de que dizer que somos homossexuais é uma das coisas mais fáceis que possamos fazer. Bem, a realidade não é assim. Também não é sempre que os discursos de "vai ficar tudo bem", são verdadeiros, é preciso estar preparado para o: "Talvez nem tudo fique bem". O fato é que nós vivenciamos realidades específicas e particulares, cabendo a cada um ponderar a hora e o momento mais oportuno. Não existe a idade certa, ser muito jovem ou muito velho, ser cedo ou tarde demais, nenhum desses discursos devem influenciar nossa atitude e vontade.
Cada individuo possui formas próprias de expressar seu sentimento em diversas situações e não é possível prever as reações e consequências de atitudes, mas isto é óbvio. Ao decidir contar aos pais, ou quem quer seja, sobre os aspectos de nossa sexualidade é possível que eles o abracem e digam que nada mudará sob qualquer circunstância, é possível que mesmo antes de você começar a falar eles o envolvam  em um abraço e digam que tudo ficará bem. Entretanto, não é impossível que eles fiquem irreconhecíveis, o reprimam, digam coisas horríveis sobre você e sua orientação/condição, portanto, a decisão de se assumir tem que estar intimamente ligada a um preparo psicológico para uma resposta boa ou não.
Todas as incertezas, inseguranças, medos, entre tantos outros sentimentos que nos habitam não se dissolvem com a fatídica conversa. Pode ser que tudo esteja apenas começando ali. Muitos perdem por completo a liberdade, passam a ser vigiados, alvos de desconfiança e às vezes tudo que você é, já fez  ou ainda fará perde a importância e deixam de ser méritos seus, porque a única coisa que as pessoas irão em enxergar é o fato de ser gay, lésbica, bissexual, enfim, e isso pode vir a  anular qualquer coisa "boa" (aos olhos da sociedade) que venha de você.
A impressão é que a partir do momento em que alguém  decide revelar as pessoas ser homossexual é preciso reconstruir novamente a personalidade perante a elas, ou ao menos relembrá-las da sua. O preconceito em nossa sociedade chega a um ponto tão extremado que somos julgados por uma condição profundamente individual que não atinge de forma nenhuma a vida de quem quer que seja. Afinal de contas, o que as pessoas têm a ver com quem eu vou ou deixo de me relacionar sentimental ou fisicamente?
Alguns têm a sensação de que o que é externo muda depois que nos assumimos. De fato, pouca coisa muda, isto para não dizer que pode ser que nada mude. As pessoas, em geral, continuarão preconceituosas, machistas, mesquinhas, etc. A principal mudança não será a concepção das pessoas sobre você, mas sim, sua próprias concepções sobre você mesmo e a forma pela qual  se enxerga o mundo
A mensagem mais importante a se deixar é que o momento certo para conversar sobre sua orientação/condição sexual é aquele definido por nós, seja ele qual for. O essencial é ter segurança e jamais permitir que a sociedade que nos cerca, suplante ou diminua nossa vida, esperando que realizemos seus sonhos e suas aspirações em detrimento dos nossos.
No instante em que arrancamos nossas máscaras e abandonamos o armário, uma série de preocupações deixam de existir, uma série de outras afloram, mas o mais importante é se abrir, lutar, argumentar e mostrar que não somos motivo de vergonha sob nenhum aspecto, pelo contrário. Só assim é que dia a dia ganharemos espaço e mostraremos aquilo que tanto se luta para cristalizar na mentalidade e cotidiano das pessoas, não há nada demais em ser gay.