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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cuatro Lunas

Oi gente's, tudo bem com vocês?
Como há muito não postamos nada sobre cinema, hoje trazemos uma sugestão ótima para aquela noite ou mesmo para o fim 
de semana. Assistimos "Cuatro Lunas" e ficamos encantados com o enredo e a produção. Leia nosso breve comentário, assista ao filme e volte para deixar sua opinião.
Cuatro Lunas
Um drama sincero




Filme de 2014, Cuatro Lunas foi dirigido por Sergio Tovar Velarde. Em alusão clara às quatro fases da lua, o filme retrata o cotidiano de quatro indivíduos homossexuais, cada qual vivendo sua vida, enfrentando seus problemas e tendo de lidar com as contraditoriedades encontradas pelo caminho, as histórias são independentes e não se cruzam no roteiro.
Velarde dirige um drama que não escorrega no exagero, faz romance sem cair em estereótipos ou clichês, retrata desejo sem deixar de lado a humanidade, consegue trazer histórias já conhecidas com sabor de descoberta. É assim que "Cuatro Lunas" prende o expectador. De forma delicada e singela, mostra que antes de qualquer questão, somos humanos e como tais, estamos sujeitos a erros, a acertos, a escolhas equivocadas, a chorar e a lidar com as consequências de nossos passos.
Qual a reação de um jovem que, descobrindo a sexualidade, sente-se atraído pelo primo? As dúvidas sobre o corpo e os próprios desejos se intensificam, o primo que é a pessoa do mesmo sexo de maior proximidade se torna a possibilidade da descoberta e fica claro que a lua nova marca este momento, a questão não é amor ou um sentimento profundo ligando uma pessoa à outra, trata-se antes do novo, da doce descoberta da sexualidade e o turbilhão de sensações que o momento traz a cabeça e à vida de um indivíduo.       
Quarto crescente fala de reencontro, fala de entendimento. Trata-se de um coincidente reencontro de dois amigos de infância que descobrem um sentimento além da amizade entre eles. Os problemas vêm de ambos os lados, um deles perdeu o pai, a mãe está desestruturada, inclusive para ouvi-lo, e para piorar, a situação econômica deles não é favorável. O outro vive no armário e tem uma noiva para enganar aos outros e a si mesmo. O que pode ocorrer quando os dois se apaixonarem? Será que haverá estrutura para que a relação floresça ou tudo acabará onde começou, na despretensiosa descoberta de um sentimento mútuo que pretendia crescer em uma noite de lua no quarto crescente?
A felicidade é mesmo uma receita a ser seguida? Um relacionamento estável, aproximadamente dez anos, uma casa -o lar-, a companhia, amigos em comum, o filme no final de semana etc., são as características de um casal, aparentemente, em momento de felicidade? O filme apresenta a história de Andres e Hugo, que a primeira, bem primeira vista, parecem felizes, mas que aos poucos dão sinais de que a relação vem se desgastando há tempos, e acompanha o empenho de apenas um dos envolvidos em não deixar que a lembrança do amor que um dia os uniu se apague por completo. Lua cheia fala de desgaste, de fim de ciclo e claro, da dor que inevitavelmente acompanha esse processo. Nós, expectadores, acompanhamos a deterioração de um relacionamento ao ponto de nos questionar se tudo que um dia possivelmente tenha contribuído para que o amor florescesse se tornou responsável para que ele, de igual maneira, termine, ao mesmo tempo em que o autor nos traz a hipocrisia, tão vivida em relacionamentos desgastados. Despedir-se, desfazer-se, admitir o fim dificilmente é uma tarefa fácil. Mas até que ponto o salvamento de algo impossível de ser salvo se justifica?
Há inúmeras pessoas que jamais conseguem se libertar e viver plenamente sua sexualidade, em boa parte dos casos os mais afetados e machucados com essa atitude são elas mesmas, que na decisão por sustentar mentiras, fazem brotar verdades que o passar das décadas cuida por solidificar na mente e no imaginário dos envolvidos. Em alguns casos, parece que a mentira deixa de existir e a verdade, bem, a verdade se torna uma prisão impenetrável. Você está sentado à mesa e partilha com a família sua vida; você tem esposa, filhos, netos, uma carreira modesta, entretanto respeitada e, apesar de ter conseguido o respeito de todos, não conseguiu respeitar a si próprio, prova disso é sua busca incessante por satisfazer os desejos arrastados para debaixo do tapete constantemente. Joaquín é um senhor que míngua por sexo e acaba conhecendo um garoto de programa por quem nutre um desejo, mas encontra dificuldade para conseguir o dinheiro cobrado por ele. Quarto minguante marca a escassez de diversas coisas, talvez a principal delas, seja amor próprio.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas ☆ ☆ ☆ ☆

A Culpa é das estrelas, O.K. ? Talvez!


Não foi fácil, para muitos, a longa espera pela estreia do aclamado romance "A Culpa é das Estrelas" de John Green. Não podemos negar que vivemos o ápice de uma certa "moda" literal, os brasileiros estão lendo mais, os jovens brasileiros estão lendo mais e isso é inquestionavelmente  benéfico, afinal a leitura proporciona bens e qualidades sem paralelo.
Os romances têm tido um sucesso especial, basta lembrar de obras que vêm ganhado seguidores assíduos, como "A Saga Crespúsculo", "A Trilogia Jogos Vorazes" e nosso real e infinito "A Culpa é das Estrelas", que está fazendo centenas de crianças, jovens, adultos e idosos se desmancharem em lágrimas pelas salas de cinemas no Brasil e no mundo,  e é sobre ele que vamos tecer alguns comentários.
O título do livro (para os que leram) é convidativo e curioso. Afinal que culpa tem as estrelas? É a primeira resposta que pretendemos encontrar, mas o desenrolar da história da adorável, triste e conformada Hazel Grace vai fazendo com que esqueçamos da resposta para focar nossa atenção apenas nela, a protagonista da narrativa. Somos envolvidos pelo drama, sofrimento, vida e certo sarcasmo com que nossa garota encara seu estado terminal, estado que ela mesma não trata de forma cruel, ou ao menos não transpareça. A única preocupação dela é com quem está a sua volta, não é a toa que se incomoda tanto com a dedicação quase que integral dos pais e o amor do apaixonado "Gus".
"Hazel é sincera sem ser cruel", é assim no livro e é assim na adaptação para os cinemas, a propósito lindo papel e ótimo tom que a atriz Shailene Woodley dá a personagem. Aproveitando para dar os crédito a quem merece, o elenco de forma geral cumpriu muito bem seu papel, embora boa parte dos atores não sejam familiares a maioria dos expectadores, a equipe como um todo fez um ótimo trabalho, um comentário especial vai para o ator Sam Trammell, pai de Hazel na trama, ele consegue dar uma humanidade sensivelmente tocante a personagem nas poucas aparições que faz. Transmite a verdade de um pai que  precisa conviver com a ideia de que pode perder a única filha a qualquer instante, toda a sensibilidade dele se concretiza e emociona na cena em que ele recebe a família no aeroporto. Apenas levanta o cartaz (Minha linda família e Gus) e chora, aquele momento é sem dúvida uma das cenas mais acertadas do longa. Ansel Elgort como Gus desempenha bem o papel e como outros já comentaram, não é uma impecável atuação, entretanto para o propósito e em relação ao roteiro pensado ele está muito bem. Não dá pra esquecer da simpática Lotte Verbeek, como a assistente do amargurado escritor Peter, e do amigo que não é capaz de voltar a enxergar um mundo sem o Gus, Isaac vivido por Nat Woolff, enfim um elenco em sintonia, numa história que deu certo.
Durante a última semana a internet foi bombardeada com uma série de críticas, em sua maior parte positiva, a adaptação para as telona do Best Seller "A Culpa é das Estrelas", passei três dias lendo verdadeiros tratados (exagero meu rs) de elogios a atuação, montagem e adaptação, e embora já soubesse que não encontraria nada muito além do que já havia lido no livro, confesso que as repetidas leituras incutiram uma expectativa maior em mim, comecei a acreditar que poderia encontrar algo além no longa, fosse na mudança de algum rumo da história origial, fosse pela atuação arrebatadora de alguns dos personagens (especialmente os protagonistas), resultado, entrei na sala de cinema com uma expectativa beirando as nuvens e não vou negar: claro que me decepcionei, e vou tentar dizer o por quê disso.
A sala da qual fiz parte estava vazia, o que não significou ausência de choros sufocados e tímidos soluços. Penso, reflito, penso novamente, e não consigo encontrar uma resposta definitiva do motido de essa história em particular ter mexido de uma forma tão tocante com tantas pessoas. De um lado, claro, nós não estamos e talvez nunca estaremos prontos para lidar com a morte e isso é difícil em qualquer idade, porém quando falamos em morte de pessoas de 13, 14, 15 ou 19 anos de idade as coisas se tornam ainda mais difíceis, porque em tese pessoas desta idade deveriam estar se preparando para começar a vida e não para morrer. Se levamos em conta que a salas de cinema estão sendo lotada especialmente por adolescentes que beiram a idade de Hazel e Gus, a coisa fica ainda mais sensível, porque todos no momento se colocam no lugar da personagem. Outr o ponto que causa comoção é, obviamente, o amor entre os dois protagonistas e a forma como eles vão desenvolvendo os laços (muito mais precisos e detalhadados no livro) até o momento em que o pequeno infinito de Hazel e Gus se finda.
A Culpa é das Estrelas não traz grandes novidades nem um espetáculo a parte no que diz respeito a adaptação e atuação. Por ser bastante fiel (mas não completamente) ao livro, quem o leu não encontra nenhuma novidade nem novos motivos para se emocionar a não ser os já existentes na leitura. Em muito a história traz velhos e infalíveis clichês ( não é necessariamente uma crítica), com exceção do final. Se trata do romance, do amor adolescente entre a garota um tanto quanto tímida e pouco desenvolta socialmente (isso fica mais claro no livro) com o cara popular, bonito e atraente, mas que ao contrário de todos os outros romances teens e pelo estado das coisas, não acontece no corredor, das nossas já conhecidas, escolas ou universidades americanas, mas no grupo de apoio a jovens com câncer.
Há algumas coisas que poderiam ter sido melhores trabalhadas no filme, como o O.K. de Hazel e Gus; o pequeno infinito tão significativo na história dos dois que só vai ganhar algum destque na última parte da trama;  o próprio envolvimento dos protagonistas que no livro não é tão óbvio, ao menos no início, o amor singelo e profundo que iria surgir entre os dois (não que isso não fosse previsto pelos leitores), entre outros detalhes.
Nas linhas acima eu coloco que a adaptação cinematográfica não é completamente fiel a obra literária, embora eu pudesse dizer que sim, caso não fosse por dois atos que foram cortados do filme, que são:

 - O momento em que Gus discute com a mãe sobre a viagem para a Holanda na ocasião em que eles descobrem que o câncer reapareceu e ela tenta o convencer a não viajar.                  
-  Depois a cena em que Gus conta para Hazel da ex-namorada que tinha um tumor na cabeça e foi perdendo aos poucos as capacidades até falecer. Essas cenas que estão no livro são, na minha opinião, bastante importantes para a história, mas ficaram de fora da sequencia.

A história é bonita, o roteiro bem construído, os personagens bem estruturados, concordo que o resultado foi ótimo e que a sintonia final do filme dá o tom certo a adaptação, mas não consigo ver muita coisa além disso, talvez seja pela superexpectativa que eu criei (ou foi criada em mim), talvez por eu ser um ser humano frio e calculista (brincadeira), mas o fato é que saber de quem é a Culpa de todo o destino cruel que nos é entregue não me fez cair aos prantos. Hazel é doce, sarcástica, coformada e as vezes adolescente, Gus é bem comum, não alcança o que tanto desejou em vida, a permanência na lembrança, no fim são apenas adolescentes sem nada de tão especial e talvez seja por isso que o filme faz tanto sucesso. O fato de os personagens nem serem tão especiais assim é que os torna especiais.
A Culpa pode ser das estrelas sim! E eu recomendo que você descubra o por que assistindo e claro lendo o livro.