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sexta-feira, 11 de março de 2016

Mulheres

Durante esta semana o Alternnativa deu espaço para que mulheres dissessem a nós "O que é ser Mulher?". Maíra, Talita, Fran, Karina e Tatiana, compartilharam conosco um pouco de sua experiência e luta enquanto mulheres. Aproveitamos para agradecê-las imensamente por nos ter prestigiado com seus textos, pensamentos, vídeos e dizer, longe dos clichês da moda, que todo dia é dia de Mulher sim, todo dia tem de ser dedicado à luta contra o machismo, contra a misoginia, o patriarcado, todo dia precisa ser uma busca incessante por sororidade. Para fechar esta primeira série especial aqui no Alternnativa, chamamos Tatiana Venâncio para nos responder a pergunta que abriu nossa semana: O que é ser Mulher?
Tatiana é negra, tem 29 anos e mora na zona Sul da capital. Na contramão do racismo e dos descaminhos que as mulheres negras ainda percorrem em nossa sociedade, graduou-se em Biologia por uma instituição de renome, é mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pretende ingressar no programa de doutorado da Faculdade de Educação, da mesma universidade.
Tatiana faz questão de afastar o discurso da meritocracia para falar de sua trajetória acadêmica e pontua que sua visão de mundo, especialmente em relação à mulher, mudou sensivelmente nos últimos anos.

"O que é ser Mulher?" por Tatiana Venâncio

Image courtesy of africa at FreeDigitalPhotos.net

"Muito difícil expressar com palavras o que é ser mulher. Se essa pergunta tivesse sido feita há 15 anos minha resposta seria completamente diferente. Até minha adolescência eu acreditava que as mulheres tinham de desempenhar somente algumas funções na sociedade, acreditava realmente que algumas profissões eram “destinadas” às mulheres e outras “destinadas” aos homens.
Minha visão com relação ao meu gênero era extremamente limitada. Eu via os homens ao meu redor trabalhando fora e não fazendo quase nenhum trabalho doméstico e as mulheres cuidando de todos os afazeres da casa trabalhando fora ou não. Havia uma divisão muita clara.
Hoje estou rodeada de mulheres fortes que trabalham nas mais diversas profissões. Que lutam por melhores cargos, por melhores condições de vida. Que têm muitas outras preocupações sociais além de casamento e filhos. Hoje sei que ser mulher é a convivência diária com dores e deleites, vulnerabilidade e força, medo e coragem. É superação diária. É ter atenção redobrada na rua, sempre que chega a noite após o trabalho ou após a cerveja com as amigas. É pensar que o taxista ou cara do tinder pode ser um estuprador serial killer. É saber que se corre mais riscos do que um homem ao viajar sozinha. É ter de explicar a um homem a diferença entre assédio e elogio.
Hoje sei que as mulheres ainda são desrespeitadas em seu ambiente de trabalho, sei que elas ganham menos que os homens e que a cada segundo, milhares de mulheres são violentadas no mundo todo. Hoje eu sei que as mulheres negras são o grupo em maior desvantagem sob todas as perspectivas sociais, ao comparar-se às mulheres brancas e aos homens em geral. Mas sobretudo, hoje sei que qualquer mulher pode fazer qualquer coisa que se dispuser a fazer."""

quinta-feira, 10 de março de 2016

Mulheres

Hoje quem diz "O que  ser Mulher?" é Karina Fasson, com 27 anos é mestranda em Sociologia. Karina que já é socióloga, deixou para trás uma carreira na iniciativa privada para dedicar-se à dissertação de mestrado em que trata de relações raciais no ambiente escolar. Para ela o discurso feminista precisa ser uma prática cotidiana.

"O que é ser Mulher?" por Karina Fasson 



"Ser mulher anda difícil: uma luta constante e cotidiana. Pra mim, o pior dos machismos é aquele dissimulado, que, por vezes, demoramos a entender. O namorado que parece tratar bem e apoiar, mas na primeira demonstração de força da namorada, a coloca pra baixo e a diminui por não conseguir ter a mesma coragem que ela diante da vida. O cara com uma vida pública lutando por pautas progressistas, mas que trata mulher como objeto. O outro cara que compra livro sobre feminismo, mas também trata mulher como objeto. A menina que se diz feminista, fala que as mulheres tem que se unir e que a culpa é sempre dos homens, mas que, quando vai ver, está disputando homem por aí como se as mulheres fossem inimigas.
Espero e luto todos os dias para que ser mulher signifique mais igualdade e respeito por parte dos homens, e mais sororidade por parte das mulheres."        

quarta-feira, 9 de março de 2016

Mulheres

"O que é ser Mulher?" por Fran Santos

Para responder "O que é ser Mulher?", Fan Santos de 29 anos, que também é YouTuber, gravou um vídeo para compartilhar aqui no Alternnativa. Analista de pesquisa, trabalha há mais de dez anos na mesma empresa, é esposa, mãe, filha e irmã. Conheceu seu marido ainda na adolescência, por quem se apaixonou.
Fran resume o significado de ser mulher em uma palavra: Guerreira.       
                         
                        Acesse o canal da Fran clicando aqui.

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres

Perguntamos "O que é ser Mulher?" à Talita Amaro, paulistana de 25 anos, ex-moradora da Cidade Tiradentes, já frequentou os cursos de História e Ciências Sociais, porém os interrompeu para cursar medicina com bolsa integral. Desde 2011 está a frente da coordenação geral do Cursinho Mafalda, projeto social que oferece anualmente, sem mensalidade, mais de 1.000 vagas distribuídas entre cursos de idiomas, pré-universitário, EJA - Enem, etc.  
Talita não consegue falar sobre Mulher, sem recorrer as diversas referências que teve ao longo da vida, referências as quais a fizeram ser a Mulher que é hoje.

"O que é ser Mulher"? por Talita Amaro 

FreeImages.com/Marcelo Moura

"Atendendo ao pedido de um amigo de longa data, escrevo aqui, o que é ser mulher em minha experiência pessoal.
Minha vida sempre foi bastante feminina, no sentido de ter sido sempre acompanhada por mulheres. Não por eu ser lésbica, mas porque minhas grandes referências são mulheres. Tanto nas artes, na academia quanto na vida cotidiana.
Sou de uma família que tem a presença forte das mulheres. Minha mãe é uma mulher forte, baseio minha força no que ela reflete. Minha avó era uma mulher muito especial, pois tinha espiritualidade aguçada, o que sempre me fez ser um pouco mais conectada ao que há de paralelo ao mundo material, embora invisível. Minhas professoras de nível básico, desde a pré-escola até o Ensino Médio, sempre me acompanharam, impulsionaram e forneceram a base educativa para que eu ingressasse no ensino superior. Fui uma aluna sortuda.
Ao ingressar na universidade e iniciar a prática política, tive muitas mulheres ao meu lado, muitas me ensinando sobre militância, muitas dando exemplos pelos atos e muitas construindo reflexões que mudaram meu olhar para diversas questões. O que, por um lado, me ajudou, pois hoje sou menos boçal do que já fui, mas que por outro lado me atrapalhou: pois estou cada vez menos sociável – ao passo que não tenho facilidade em conviver com pessoas reacionárias. Em minha vida atual tenho uma mulher ao meu lado, uma companheira, inteligente, linda, amável e muitos outros adjetivos difíceis de dizer em um texto. Ela me ajudou, me lapidou, me ensinou e ensina a ser alguém cada vez mais adequada ao mundo que desejamos colaborar para construir.
Enfim, não sei se respondi a questão proposta, mas para me falar mulher, tive de recorrer a muitas lembranças e recordações e dizer a partir de quais mulheres me tornei quem sou hoje."

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mulheres

                  Mulheres por Mulheres

Image courtesy of imagerymajestic at FreeDigitalPhotos.net

Nesta semana é comemorado o Dia Internacional da Mulher, nós do Alternnativa não poderíamos deixar esta data passar em branco de forma nenhuma. Nós que aqui tentamos construir reflexões contrárias ao preconceito, em uma luta pela não opressão às minorias e grupos historicamente segregados na sociedade.
Que façamos deste dia um momento de reflexão que se projete para o ano todo, que a cada dia, mulheres alcancem igualdade e liberdade, que o machismo não mais cale, violente e asfixie as vozes que durante centenas de anos permaneceram oprimidas e silenciadas. Hoje e sempre, que a voz sejam delas, começando agora. 
O Alternnativa perguntou "O que é ser mulher?" para algumas mulheres, a resposta você acompanha aqui durante a semana.         
A primeira Mulher a nos responder é Maíra Meyer, ela é revisora e tradutora, tem 35 anos  e se considera feminista.

"O que é ser Mulher?" por Maíra Meyer

"Ser mulher é lutar pela própria visibilidade. Pela própria voz. Para que não lhe calem nunca a voz. É descobrir o significado profundo da palavra sororidade, e, sobretudo, aplicá-la na prática. Senti-la. É saber que, desde o princípio, todas nós somos irmãs. É persistir sempre na batalha, interna e em grupo, a favor de um mundo mais justo para todos os seres humanos. É reverenciar o Sagrado Feminino e andar lado a lado com a Divindade que há em cada uma de nós."

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Enem

O Enem Feminista
Image courtesy of Aleks Melnik at FreeDigitalPhotos.net


Algo que era até pouco tempo impensável aconteceu na vida real, tivemos uma prova de abrangência nacional, o Enem, contendo pautas sociais urgentes, envolvendo questões acerca de gênero, feminismo e violência contra a mulher, pautas que tantos setores lutam para que sejam inseridas fortemente na escola, esteve colocada na avaliação que há algum tempo pretende ser um mecanismo de uniformização do que se aprende nessa.
Vivemos um momento de grande tensão, há um insistente discurso afirmando uma crise econômica que se mostra contraditória e não muito palpável; há com certeza uma crise política representada no atual momento por um engessamento das decisões políticas federais e andamento de tais decisões, somado a isso percebemos uma onda conservadora e machista em voga na sociedade, refletida na câmara dos deputados e em alguns dos últimos projetos por ela apresentados.
Na tentativa de fazer frente a onda conservadora os movimentos e pessoas diretamente atingidos por ela tem reagido, entre eles, o LGBT (ressalvadas as devidas proporções) e o feminismo, pretendendo não ter suas vozes caladas nem seus direitos, conquistados com difíceis lutas, sufocados. É nesse contexto que o Enem, em sua última edição, trouxe a tona Simone de Beauvoir -um ícone para o feminismo-, e a "Persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Uma sociedade que ainda mata mulheres, as exclui, as vê em posição de inferioridade em relação aos homens, que as desqualifica, incapacita e as sufoca. Uma sociedade que violenta física, social e moralmente mulheres de todos os tipos, embora também haja uma seletividade no grau de tal exclusão e violência.
O Enem trouxe à luz a possibilidade de um debate muito mais amplo e profundo que transcende o alcance e objetivos da prova, os traços do ódio contra a mulher e a violência que ele gera está escancarado em nossa sociedade,  infelizmente. O exemplo mais claro no momento esteja, talvez, em boa parte dos julgamentos e ofensas proferidos a atual presidenta do país, muitos revoltados sem causa, pautam-se apenas no fato de Dilma ser mulher para desqualificá-la do cargo que ocupa, usando de xingamentos e ofensas misóginas, que passam para muitos, despercebidos e descolados de tal carga.
O Enem foi ainda mais além, ao abrir a possibilidade na mente de aproximadamente 8 milhões de jovens e adultos de se discutir gênero e identidade de gênero ao citar: "Ninguém nasce mulher; torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; [...]" trecho do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir. Claro que a prova trazia apenas um trecho de uma obra bem mais profunda e complexa, mas é uma semente, uma iniciativa, sendo otimista, uma luz. Já apresentamos em outros momentos aqui no blog algumas discussões acerca de gênero e voltaremos a falar dele, pois é fundamental falar sobre a construção do gênero e das identidades, para falar de machismo, homofobia, preconceito, etc.
É importante olhar para a sociedade e constatar que de alguns lugares as vozes dos oprimidos conseguem ecoar e se fazer ouvir. O tema de redação do Enem, foi muito mais que um tema, foi muito mais que uma redação e muito maior que o Enem, foi o grito de milhares de mulheres que sofreram e ainda sofrem caladas, diariamente violentadas pelo machismo na figura do homem desconhecido e especialmente do conhecido; algumas vezes na figura da própria da mulher que nasce e cresce envolta por valores que a inferiorizam perante a sociedade.
A violência contra a mulher precisa parar, deve deixar de persistir na sociedade brasileira e em qualquer outra sociedade, igualdade e respeito é o que todos nós merecemos. E em meio há tantos absurdos e a violência dos últimos tempos, abrir o Enem e ler Simone, é no mínimo pra nos encher de esperança.